terça-feira, 26 de novembro de 2013

Cada história uma receita



No post de hoje não irei falar apenas sobre culinária, mas também sobre contos e crônicas. Sim, isso mesmo. E o personagem de hoje é João Batista Gregório, de 61 anos, natural de São João da Boa Vista, interior de São Paulo.  É casado com Helena Ciacco Gregório e tem quatro filhos, seis netos e uma bisneta recém-nascida.
Trabalhou 35 anos na Caixa Econômica Federal e considera-se um bom observador e conhecedor do ser humano, por ter trabalhado por muito tempo com pessoas.
Após ter se aposentado, João passou a se dedicar mais a culinária e a escrita. Na culinária já tinha o hábito de cozinhar para parentes e amigos, e hoje promove alguns jantares especiais, como por exemplo, um jantar espanhol que ocorreu na Pousada do Bosque. “Não tenho o hábito de cozinhar para a família. Uma vez por mês faço jantares temáticos e toda semana faço cerca de 300 litros de um sopão delicioso que distribuímos às famílias carentes”, diz ele.
Paella feita para o jantar espanhol
Além disso, João sempre recebe visitas em seu sítio, onde mora desde que se aposentou e quem sempre vai para o fogão cozinhar para os amigos é ele.
Já na literatura, sua aventura foi publicar dois livros, “Crenças e Desavenças” e “Qual será o sabor da crônica”. Cada um tem 40 crônicas e pequenos contos e no final de cada texto sempre há uma receita. E em breve será lançado o terceiro livro.
E quem quiser pode conferir uma dessas crônicas abaixo:



"A MALA DE PAU"

 (Em Novembro do ano passado, perdi minha mãe que faleceu, aos 93 anos,   sem grandes sofrimentos e completamente lúcida. Modelo de alegria, amor e honestidade foi- se em paz, na certeza do dever cumprido nesta vida. Por isso, hoje e nas próximas semanas de Novembro, publicarei algumas das crônicas que fiz sobre ela, mesmo aquelas que já foram lidas por vocês.)
Quando minha mãe ia à cabeleireira para cortar o cabelo e fazer permanente era assim: os três filhos mais velhos ficavam na casa de minha tia e os três mais novos, ela os levava consigo. Normalmente era em tardes de sábado e nesses dias, a rotina lá em casa mudava um pouco. O almoço saia mais cedo, a roupa não era lavada e nosso banho era mais caprichado. Como eu era o menor, minha irmã cuidava de mim, no chuveiro. Era aquela choradeira, pois ela esfregava tanto meu pescoço e orelhas que me deixava todo vermelho e ardendo.
Depois, para o processo de secagem,colocava-me em pé sobre um antigo baú de madeira,com tampa abaulada que minha avó Adelaide trouxera de Portugal, no início do século passado. Vai-se saber quais louças preciosas ou tralhas necessárias vieram, diretamente de Coimbra, naquela respeitável "mala de pau". Entretanto, na minha infância e adolescência, o móvel de carvalho servia-se apenas para guardar roupas sujas ou sustentar moleques molhados.
 Num sábado desses, já estávamos todos prontos para acompanhar mamãe ao "Salão da Margarida" que ficava distante de casa, quase no fim da Avenida. Não me recordo bem qual arte aprontei, mas fiz por merecer uma surra de minha mãe. Só me lembro de que, enquanto ela procurava o cordão do ferro elétrico para aplicar-me o corretivo, corri a esconder-me dentro da mala de pau.
Quando ficava nervosa, minha mãe tinha a mania de falar demais, numa lamúria sem fim e, na maioria das vezes, aquela cantilena monocórdica acabava por acalmá-la. Então, fiquei ali, bem quietinho, com as pernas encolhidas, esperando chegar a calmaria.
 Sobre a maciez das roupas usadas, acabei por adormecer profundamente, alheio ao fuzuê que se armou na minha casa, por conta de meu sumiço. Inicialmente minha mãe queria achar-me para aplicar a sova prometida, depois para que eu não sujasse a roupa de passeio, mais tarde porque perdera a hora da cabeleireira e finalmente, quando anoiteceu, desesperou-se pensando que eu havia sido sequestrado. 
Meu Deus... Os ciganos estiveram aqui hoje pra buscar o porco: devem ter carregado o menino!
 Naquele tempo, meu pai vendia porcos, galinhas, cabritos e toda a espécie de animais, que trazia do sítio. Esses bichos ficavam num grande cercado que existia em nosso quintal e minha mãe se encarregava da venda no varejo a diversos fregueses da redondeza. Dentre os compradores, vira e mexe apareciam os ciganos que acampavam na parte alta da cidade, perto da antiga caixa d'água. Meu pai tinha amizade com todos.
Assim que papai chegou da roça, minha mãe, em prantos, implorou para que ele fosse ao acampamento dos gitanos a minha procura. Mas o velho retrucou, incomodadoAlzira, como é que eu vou lá perguntar uma coisa dessas pra eles?! São gente boa e isso de roubarem criança é lenda... Seria uma ofensa das bravas!
 Mamãe já estava disposta a quebrar violinos e pandeiros, quando minha irmã chamou lá do banheiro: _ Mãe, achei o safadinho!
velha levantou-me em seu colo, ainda dormindo. Sentou-se na tampa do baú e começou a beijar-me, chorando baixinho. Acordei-me sentindo aquele cheirinho gostoso de mãe. Vendo-a chorando, segurei uma das pontas de seus cabelos finos e macios e somente consegui perguntar: _ A senhora não fez permanente?
Ela respondeu-me, dando um daqueles seus beijos estalados: _ Não, filhinho! A Margarida não abriu o salão hoje...
Assim era minha mãe e, quanto à mala de pau, não sei que fim levou!
Por falar em ciganos, segue aí uma receita, modificada ao meu gosto, de:

ARROZ À MODA CIGANA: 2 xícaras de arroz temperado e cozido; 1/2 xícara de pinhões pré-cozidos ou castanhas do Pará; 3 colheres de manteiga; 1 xícara de queijo suiço (aqueles com buracos) picado; 3 ovos batidos; 2 copos de leite; 1 xícara de espinafre cozido, com sal e picado; 1 xícara de brócolis cozido, com sal  e picado, 1 cebola picadinha.
Corte os pinhões ou as castanhas em filetes bem finos. Dê uma leve fritada na manteiga e misture aos demais ingredientes. Leve ao forno por 15 a 20 minutos. 


E se você quiser adquirir os livros, eles estão à venda pela Editora Baraúna, na Livraria Record, em São Paulo e na Livraria Grafitte em São João da Boa Vista. 



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A arte da confeitaria se resume em paixão



A gastronomia não está presente apenas nos grandes restaurantes, hotéis, docerias e salgaterias. Ela está presente também na casa de muitas mulheres brasileiras, que são mães, esposas, donas de casa e também confeiteiras. Sim, isso mesmo, muitas trabalham com bolos, doces, tortas, salgados, seja como única fonte de renda, ou seja, para complementá-la. Mas o importante é que elas amam o que fazem.
Vanessa na Feira de Noivas de
Espírito Santo do Pinhal - SP
Vanessa Favero do Carmo Alvernaz, de 27 anos, cake desingner e confeiteira, na cidade de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, é uma dessas mulheres que descobriu a paixão pela culinária e optou por trabalhar em casa, pois não há gastos com aluguel, funcionários e a flexibilidade de horários tem ajudado a cuidar de seu filho. “Acompanho de perto o crescimento e participo 100% da educação do meu filho. Acho muito importante esse vínculo que criamos”, diz ela.
Vanessa sempre trabalhou com os pais em uma lanchonete e fazia de tudo um pouco. Cursou a faculdade de psicologia, mas não concluiu os últimos seis meses, pois o amor pelos bolos e pelo filho falou mais alto.
“Eu estudei muito. Passo horas pesquisando novidades na internet. Sempre amei artesanato e isso facilitou minha habilidade com a decoração dos bolos. Meu amor e minha curiosidade pela profissão dizem tudo”, acrescenta Vanessa.
A chefe e culinarista Fábia Alessandra M. G. Lopes também é apaixonada pela cozinha e diz que a vantagem de trabalhar com a família em casa e não pagar impostos.
Fábia iniciou a carreira há 23 anos com uma pequena loja de chocolates e dando aula de montagem de ovos de páscoa. Hoje ela ministra aulas na região de São João da Boa Vista e trabalha com casamentos e aniversários e também participa de programas de TV. Ela faz cursos até hoje e está sempre atualizada.
Fábia mostra uma parte do seu trabalho 
Fábia deixou um recado para as donas de casa: “Comecem agora mesmo nesse ramo de confeitaria. Nunca parem de trabalhar e acreditam nos seus sonhos”.

Para mais informações sobre o trabalho da Vanessa acesse a página do facebook: https://www.facebook.com/docedesejo2012. Ou entre contato pelo telefone: (19)99231-6633.


Para entrar em contato com Fábia o endereço do facebook é Fabia Bolos e Tortas.







terça-feira, 22 de outubro de 2013

A moda da gastronomia


“Gastronomia é paixão, é amor. É você amar o ingrediente, amar trabalhar com ele". É assim que o chefe de cozinha, que prefere ser chamado de cozinheiro, Pedro Drudi, define sua profissão. 

Pedro mora em São Paulo e presta consultoria a restaurantes, buffets e trabalha na administração do curso de gastronomia da universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. No último dia 12, ele veio até Campinas para a gravação de uma aula de culinária, porém ela não ocorreu, mas mesmo assim conversei com ele sobre os cursos de gastronomia que acabaram virando moda.
Para se ter uma ideia do aumento desses cursos no Brasil, uma pesquisa feita pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), em 2011, mostra que houve um aumento de 30% no número de alunos matriculados em curso técnico de gastronomia e que o número de instituições que aderiram ao curso, foi de 4 para 96, em 5 anos. 
Drudi explica que esse aumento ocorreu devido a glamourização da profissão. O que antes era considerado trabalho para pessoas com baixo grau de escolaridade, hoje já se tornou uma profissão cheia de glamour, é isso se deve a mídia, que acaba mostrando que se tornar chefe de cozinha é uma forma de conseguir chegar ao estrelato rapidamente.
Mas nem tudo são doces dentro dessa cozinha. O cozinheiro explica que a maioria dos alunos não sabem como é o curso, acham que é apenas cozinhar, por isso a desistência do primeiro para o segundo ano chega a 50%. “A mensalidade do curso é cara, o estagiário não ganha bem. Os alunos pensam que não terão que lidar com matemática, que terão apenas que cozinhar e que isso é fácil. Esquecem que por trás de um bom prato tem as técnicas e eles acreditam que chegaram a ser chefes de cozinha rapidamente. E quando vem que não é assim, eles desistem do curso". Ele ainda aconselha que os interessados em cursar gastronomia, devem ir até restaurantes pra ver como funciona, tirar dúvidas e ver como e o dia-a-dia dentro de uma cozinha cheia de gente, com um calor excessivo.
Para o estudante de curso pré-vestibular, Ivan Schiavinatto, que mora em São Paulo, a gastronomia foi um hobby que virou trabalho. Ivan completou o curso e trabalhou na área, mas com o decorrer do tempo viu que não era bem isso que queria. "O salário é baixo, mesmo depois de anos na profissão. E trabalhar aos finais de semana não é nada agradável, quando seus amigos e familiares viajam e você tem que ficar num ambiente, quase sempre estressante", diz ele.  
Já Fabrício Tadashi Machado, que se forma em gastronomia em julho de 2014, sempre gostou de cozinhar para amigos e para a família. “A minha primeira graduação foi em hotelaria e turismo. No curso eu tive matérias sobre alimentos e bebidas e desde então eu quis me aperfeiçoar mais nesta área". O estudante também tem interesse em montar uma nova rede de fast-food. Ele já faz estágio como bussines travel (viagens corporativas) e freela de pequenos eventos, como por exemplo, jantares. O estudante ainda acha que os cursos de gastronomia deveriam ter um restaurante que atendesse ao público, para que os alunos pudessem trabalhar supervisionados pelos professores e que isso daria uma realidade mais próxima de como é a profissão.


Para saber mais do curso de gastronomia ouça a entrevista com Pedro Drudi na íntegra clicando no link abaixo: